Novos resultados fracos de Cielo, CSN elevada pelo BBI após balanço, lucro da Vivo cai para R$ 1,1 bi e mais destaques

Novos resultados fracos de Cielo, CSN elevada pelo BBI após balanço, lucro da Vivo cai para R$ 1,1 bi e mais destaques

29 de julho de 2020 0 Por Renato Ojima

SÃO PAULO – A temporada de balanços vai ganhando tração e as empresas mostram qual foi o impacto do isolamento social, adotado para conter a pandemia da Covid-19, em seus resultados.

O Santander viu seu lucro cair no segundo trimestre e decidiu reforçar as provisões para devedores duvidosos. Já a Cielo registrou prejuízo.

Saindo do setor financeiro, a CSN viu sua alavancagem subir, mas promete entregar uma relação entre dívida e Ebitda menor no final do ano e o frigorífico Minerva apresentou lucro.

Cesp, Duratex, Ecorodovias, Grupo Pão de Açúcar, Localiza, Odontoprev, Tim e Vale divulgam seus resultados após o fechamento dos mercados.

Santander Brasil (SANB11)

O Santander Brasil  teve lucro líquido de R$ 2,0256 bilhões no 2º trimestre, queda de 46,3% na comparação com o primeiro trimestre, quando lucrou R$ 3,774 bilhões, e baixa de 40,76% em relação ao mesmo período do ano passado, quando registrou um lucro de R$ 3,41 bilhões.

Já o lucro líquido gerencial foi de R$ 2,136 bilhões no segundo trimestre, queda de 41,2% na comparação com o mesmo período do ano passado e de 44,6% ante o primeiro trimestre.

No semestre, o lucro líquido societário foi de R$ 5,8 bilhões, 14,7% menor frente o 1º semestre de 2019 (R$ 6,8 bilhões).

Já as despesas líquidas com provisões para devedores duvidosos (PDD) ficaram em R$ 6,534 bilhões, 90,8% superior na comparação com o trimestre anterior e de 111,3% em relação ao segundo trimestre de 2019. A companhia provisionou R$ 3,2 bilhões para potenciais perdas com empréstimos por causa da crise desencadeada pelo coronavírus.

Vale destacar que, no primeiro trimestre, o banco não havia aumentado suas provisões de forma significativa, alegando que já havia feito reforços e que esperaria para conhecer melhor os efeitos da crise.

A carteira de crédito ampliada do banco chegou a R$ 463,4 bilhões, alta de 0,7% na comparação com o primeiro trimestre. A inadimplência recuou 0,6 ponto percentual, para 3%.

Os analistas do Credit Suisse lembraram que o resultado do banco foi afetado pelas provisões extraordinárias.

Já o BBI destacou que as receitas com tarifas vieram mais fracas que o esperado (a queda no comparativo anual foi de 11,9%) e chamaram a atenção para o resultado da margem financeira, que apresentou elevação.

“O maior ponto de interrogação refere-se à sustentabilidade do desempenho da margem financeira, já que a crescente inadimplência à frente poderia começar a pesar sobre a geração de receitas”, avaliaram os analistas do Bradesco BBI, em relatório a clientes.

Cielo (CIEL3)

A empresa de meios de pagamento Cielo registrou no segundo trimestre do ano um prejuízo líquido de R$ 75,2 milhões, ante lucro de R$ 428,5 milhões entre abril e junho de 2019.

A receita líquida da empresa, na comparação anual, caiu 12,5%, para R$ 2,4 bilhões. O Ebitda somou R$ 236 milhões, redução de 69,7% ano a ano.

O resultado decorre dos efeitos econômicos da pandemia da Covid-19, embora a empresa venha de trimestres consecutivos de queda do lucro devido ao aumento da concorrência. A empresa informou que vai ajustar a sua estrutura de custos e capital para enfrentar um cenário de forte queda dos resultados.

De acordo com o Morgan Stanley, os números da Cielo foram muito fracos, ainda que não surpreendentes dadas as circunstâncias extraordinárias com o Covid-19. “Lamentavelmente, a companhia não forneceu detalhes de como os negócios estão indo no terceiro trimestre até o momento, agora que algumas restrições de bloqueio foram levantadas”, apontam, destacando que isso pode ser discutido durante as conferências do dia.

A XP Investimentos também apontou que os números foram negativos, com um prejuízo líquido de R$ 76 milhões causado principalmente por: i) desalavancagem operacional, uma vez que o volume financeiro (TPV) despencou 22% na base anual para R$ 128 bilhões, enquanto os custos aumentaram 2% na comparação anual para R$ 1,1 bilhão; ii) menor resultado financeiro, 71% inferior ao mesmo período do ano anterior, para R$ 40 milhões, pressionado pelos menores volumes e a taxa de juros mais baixa da história; e iii) impostos, que chegaram a R$ 20 milhões, mesmo a empresa não reportando lucro antes dos impostos.

“No entanto, reiteramos nossa recomendação neutra e o preço-alvo de R$ 5,00, pois acreditamos que a deterioração esteja parcialmente precificada”, destaca o analista Marcel Campos.

CSN (CSNA3)

A CSN apresentou lucro líquido de R$ 446 milhões, ante prejuízo de R$ 1,3 bilhão em igual período de 2019. Os preços mais elevados do aço contribuíram para esse resultado.

A alavancagem da empresa, que é a relação entre dívida líquida e Ebitda, subiu para 5,17 vezes (no primeiro trimestre, era de 4,78 vezes). A companhia afirmou que vai reduzir a alavancagem para 3,75 vezes até o final do ano e a 3 vezes até o final de 2021, mas não detalhou como irá chegar a esse resultado.

Vale destacar que o BBI elevou a recomendação para as ações da CSN para outperform, elevando o preço-alvo de R$ 11 para R$ 17. “O mercado de aço brasileiro está se recuperando em um ritmo mais rápido do que o esperado, enquanto a divisão de minério de ferro deve se beneficiar de maior produção, menores custos e preços saudáveis no segundo semestre e em 2021”, apontam os analistas.

A XP Investimentos também apontou os números como fortes, mantendo recomendação de compra para os ativos: “olhando para frente, vemos um caminho de recuperação no segmento de aço e um aumento no volume de minério de ferro. Além disso, temos uma perspectiva saudável para os preços do minério de ferro, com a oferta ainda apertada e os impactos positivos sobre a demanda devido aos estímulos do governo chinês”.  Por outro lado, o perfil atual da dívida aparece como o principal fator de risco para a empresa, destacando aguardar desinvestimentos para uma melhora do balanço patrimonial.

Minerva (BEEF3)

A Minerva registrou lucro líquido de R$ 253,4 milhões no segundo trimestre. Em igual período do ano passado, teve prejuízo de R$ 113,3 milhões.

O Ebitda atingiu R$ 590,2 milhões, crescimento de 2% no comparativo anual e margem Ebitda chegou a 13,4%.

Telefônica Brasil (VIVT4)

A Telefônica Brasil informou nesta quarta-feira que seu lucro líquido caiu 21,6%, a R$ 1,13 bilhão, no segundo trimestre sobre igual período de 2019.

Já o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) recorrente foi de R$ 4,103 bilhões, 3,8% abaixo na base anual. A margem Ebitda subiu 0,5 ponto percentual no período, a 39,8%.

Smiles (SMLS3)

A Smiles, empresa de programa de fidelidade da Gol, reportou no segundo trimestre um prejuízo de líquido de R$ 400 mil, ante um lucro líquido de R$ 155,7 milhões no mesmo intervalo do ano passado.

O faturamento bruto total foi de R$ 321,7 milhões, ante R$ 684,3 milhões no mesmo período do ano passado, queda de 53% na comparação anual. A receita líquida encolheu 79,6%, para R$ 56,6 milhões.

AES Tietê (TIET11) e Eneva (ENEV3)

E a novela da AES Tietê chegou ao final, com a americana AES Corp vencendo a disputa com a brasileira Eneva pela aquisição de uma fatia do BNDES na AES Tietê.

Na noite desta terça, a BNDESPar confirmou a transação.

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