Ibovespa opera próximo da estabilidade entre alta de casos e boa notícia sobre tratamento do coronavírus

Ibovespa opera próximo da estabilidade entre alta de casos e boa notícia sobre tratamento do coronavírus

10 de julho de 2020 0 Por Renato Ojima

Após o índice futuro ficar em queda desde a abertura, o Ibovespa abriu próximo da estabilidade seguindo a recuperação dos índices futuros americanos após a farmacêutica Gilead afirma que seu tratamento com o medicamento remdesivir reduziu drasticamente a mortalidade do novo coronavírus.

A companhia disse em comunicado que o remdesivir “estava associado a uma melhora na recuperação clínica e uma redução de 62% no risco de mortalidade em comparação com o tratamento padrão”. Com isso, o Dow Jones futuro apagou as quedas e passou a operar com eleve alta.

Apesar disso, o clima ainda é de maior tensão nos mercados. O número de mortes recordes na Flórida e Califórnia e o temor de uma segunda onda na Ásia pressionam as bolsas, apesar dos índices na Europa registrarem alta.

“Veremos períodos intermitentes de paralisações ao longo do próximo ano enquanto ainda estivermos enfrentando esse vírus”, disse, à Bloomberg, Erin Browne, gerente de portfólio Pacific Investment Management. No entanto, Browne acredita em paralisações mais pontuais, diferente do movimento registrado no início do ano.

Às 10h20, o benchmark da bolsa brasileira registrava leve queda de 0,09%, aos 99.075 pontos.

Enquanto isso, o dólar comercial sobe 0,18%, cotado a R$ 5,3510 na compra e R$ 5,3530 na venda. O dólar futuro para agosto, por sua vez, tinha alta de 0,22%, para R$ 5,359.

No mercado de juros futuros, o DI para janeiro de 2022 tem queda de 9 pontos-base, a 3,04%, o DI para janeiro de 2023 perde 7 pontos, a 4,13% e o DI para janeiro de 2025 recua 2 pontos-base a 5,62%.

Nesta manhã o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que teve alta de 0,26% em junho na comparação mensal.

Na medição anterior, houve uma deflação de 0,38%. Na comparação com junho de 2019, houve alta de 2,13%. O indicador acumula alta de 0,10% no ano.

A expectativa mediana dos economistas compilada no consenso Bloomberg era de alta de 0,30% na base de comparação mensal e de 2,17% na comparação anual.

Enquanto isso, em maio, o setor de serviços caiu 0,9% frente a abril, na série com ajuste sazonal, ainda sob efeito da pandemia de Covid-19. É a quarta taxa negativa seguida, período em que acumulou perdas de 19,7%.

Na série sem ajuste, em relação a maio de 2019, o volume de serviços recuou 19,5%, a terceira taxa negativa consecutiva e a queda mais intensa desde o início da série histórica, em janeiro de 2012. No acumulado no ano, o setor ficou em -7,6% e, nos últimos 12 meses, recuou 2,7%.

No mercado de commodities, o petróleo WTI tem 2ª baixa seguida e atinge patamar de US$ 38 com receio de que a reincidência do vírus afete a demanda – o que foi tema de alerta da Agência Internacional de Energia.

Radar político

A atuação do novo ministro das Comunicações, Fábio Faria, tem contribuído para o Tribunal de Contas da União (TCU) colocar um freio na atuação contra o governo federal, segundo reportagem do jornal “Folha de S.Paulo”.

Bruno Dantas, ministro do TCU, sinalizou que deve rever a decisão que tomou sobre bloqueio de recursos de publicidade do Banco do Brasil e deve abortar também a ideia de estender a medida para a Caixa.

Ainda no radar político, segundo o jornal O Globo, Jair Bolsonaro diz que espera indicar ministro da educação hoje. O presidente afirmou que conversou com cinco ou seis candidatos e escolherá uma pessoa conciliadora para o cargo.

Já na agenda do Congresso, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou em live que, se o Senado não retomar o debate sobre a reforma tributária por meio da comissão mista temporária criada no início do ano, os deputados voltarão a discutir a proposta a partir da próxima terça-feira na Câmara. Maia cobrou que o governo encaminhe texto sobre a reforma para ser incorporado ao debate no Parlamento e indicou, mais uma vez, que não há espaço para o retorno da CPMF.

Inadimplência

Levantamento da empresa de gestão de informação Deep Center mostrou que a inadimplência por conta do desemprego está 12 vezes maior na pandemia do novo coronavírus, segundo informação do jornal “O Estado de S.Paulo”. Entre aqueles que não honraram os vencimentos, a alegação de desemprego cresceu 1.123%. Menos de 20% apontaram “descontrole financeiro”.

A pandemia também causou o congelamento de vagas no mercado de trabalho. Conforme pesquisa da consultoria de recursos humanos Robert Half, cerca de 43% das empresas congelaram vagas de trabalho, ou seja, nem preencheram cargos vagos nem criaram novos. Já 26% mantiveram o quadro, preenchendo cargos vagos, ao passo que 14% abriram novas posições. O restante (17%) reduziu o quadro de funcionários durante a crise.

Panorama corporativo

O fundo de investimento Mubadala, de Abu Dhabi, fez a melhor oferta na fase vinculante e ganhou o direito de discutir com exclusividade os termos do contrato de compra com a Petrobras para a compra da Rlam, segundo maior refinaria do Brasil.

A negociação ainda pode levar algumas semanas para ser concluída, segundo informação da agência Reuters.

Em outra operação, a estatal assinou o contrato para a venda da totalidade de sua participação nos campos de Pescada, Arabaiana e Dentão para a Ouro Preto Óleo e Gás. O valor da operação foi de US$ 1,5 milhão.

Já a empresa de gestão de resíduos Ambipar levantou R$ 1,08 bilhão em sua oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês). A ação saiu a R$ 24,75, no topo da faixa indicativa de preço.

A companhia vai usar os recursos para renegociar e ou antecipar pagamentos de dívidas com custo de captação elevado e investir na expansão orgânica, por meio da construção de novas bases operacionais e escritórios comerciais. Os recursos também poderão ser usados em aquisições no Brasil e no exterior.

E a Cielo recebeu autorização do Banco Central para ser uma emissora de moeda eletrônica, segundo informação do jornal “O Estado de S.Paulo”. Isso significa que a credenciadora de maquininhas de cartão terá, em tese, mais autonomia. Com o aval do órgão regulador nas mãos, a Cielo poderá ampliar seu leque de atributos como, por exemplo, emitir cartões pré-pagos, o que hoje não é possível, bem como prestar serviço de carteiras digitais de forma independente.

(Com Agência Câmara e Bloomberg)