Fundos imobiliários de shoppings respondem hoje pela melhor oportunidade do mercado, dizem gestores

Fundos imobiliários de shoppings respondem hoje pela melhor oportunidade do mercado, dizem gestores

22 de maio de 2020 0 Por Renato Ojima

SÃO PAULO – Apesar do forte impacto das medidas de isolamento social decorrentes da epidemia do coronavírus sobre os fundos imobiliários de shopping centers, 59% dos gestores acreditam que este é o segmento que oferece melhor oportunidade no momento, dada a forte correção dos preços nos últimos meses. É o que mostra uma pesquisa realizada pela XP entre os dias 13 e 19 de maio com 22 gestores de fundos imobiliários.

O percentual está em linha com o apresentado na última edição da pesquisa, em abril. Na sequência, aparecem lajes corporativas, com 18% das menções, abaixo dos 25% no mês passado.

O maior crescimento do aluguel neste ano, contudo, deve partir do segmento de galpões logísticos, segundo 45% dos gestores, um aumento em relação às respostas do mês passado (15%). Outros 41% veem o segmento de lajes corporativas como o maior beneficiário da valorização dos aluguéis, ante 75% anteriormente.

“Em razão das incertezas do cenário macroeconômico, acreditamos que muitas renegociações de aluguel e novas locações em lajes corporativas podem ser postergadas até que haja maior clareza do cenário. Em contraposição, houve aumento da demanda por galpões logísticos bem localizados e de alta qualidade pelas empresas com serviços em funcionamento como as companhias de e-commerce e supermercados”, escreve Renan Manda, analista de fundos imobiliários da XP, em relatório.

Para a maioria dos gestores consultados (64%), os fundos imobiliários estão baratos, embora o percentual tenha caído em relação a abril (85%). Além disso, 27% afirmam que os preços estão justos e 9% que estão caros, ante 5% e 10% na última pesquisa, respectivamente.

Home office x escritórios

Em meio ao avanço do número de casos de coronavírus, empresas têm adotado e até expandido o prazo de home office de seus funcionários, o que levanta dúvidas sobre o futuro dos fundos de edifícios comerciais.

Para Manda, há uma dicotomia: enquanto o aumento do trabalho remoto levaria a uma necessidade menor de espaços físicos, a adoção de medidas preventivas de segurança e saúde do funcionário implicaria maior demanda de área, com maiores distâncias entre mesas de trabalho e funcionários, por exemplo.

De acordo com o levantamento da XP, 50% dos gestores acreditam que esses dois efeitos devem se balancear e não implicar grandes mudanças na demanda, que deve se concentrar mais em São Paulo, nas regiões da Vila Olímpia e da Avenida Paulista.

Do total de participantes, 14% afirmam que o cenário possui pouca visibilidade, enquanto 9% esperam menor demanda por espaço físico e 5% veem um aumento da procura, por conta das medidas preventivas de segurança ao colaborador.

Perspectivas para o Ifix em 2020

Após forte queda dos preços das cotas de fundos imobiliários no primeiro trimestre, gestores de FIIs seguem cautelosos com o desempenho do mercado, mas ligeiramente mais otimistas do que em abril.

Segundo o levantamento da XP, 41% esperam que o Ifix encerre o ano com desempenho entre queda de 10% e estabilidade, em linha com as respostas do mês passado. Por outro lado, 32% dos gestores esperam uma alta de até 10% dos fundos imobiliários em 2020, frente a 20% dos gestores em abril.

Após desvalorização de 15,9% em março, o Ifix apresentou ganho de 4,4% em abril, mas, no ano, até 19 de maio, apresenta queda de 19,7%.

Entre os maiores riscos no horizonte, 81% citam desaceleração econômica e 10%, instabilidade política. Na última edição da pesquisa, em abril, 75% viam a desaceleração econômica como a principal preocupação, 48%, uma mudança na tributação, e 30%, um aumento nas taxas de juros.

Segmentos mais defensíveis

Além de serem considerados mais defensíveis em meio à crise, segundo 77% dos gestores, os fundos de galpões logísticos, juntamente com os de recebíveis imobiliários, devem se recuperar mais rapidamente após pandemia, na avaliação de 32% dos entrevistados. No último levantamento, 35% apostavam nos fundos de Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e apenas 10%, nos de galpões.

Lajes corporativas, que receberam 25% dos votos em abril, ficaram apenas com 14% na edição de maio.

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